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respirar

respirar

25/03/21

Prosa Insana

#15

Pensar e ser pensando, numa osmose em que o tempo é único. Diluído, vago no vento e percorro pontes. Sou quem serei passado. Respirar respirado respirando, quase sem pele, de osso esguio e firme no mundo fantasma da aparência. Tanto de manifesto! Tanta solidez enganada! Tanto de ilusão em véus de névoa que vestem de maravilha o mistério flutuante que tudo toca. Jejuando da morte, alimento-me da vida semeada para partir. Todo o momento fugaz me cheira a eternidade. E sou raiz de incessante rumo à profundidade sem-fim. E sou copa que se expande à luz que desce. Ouço na manhã que se abre do negro o pássaro que sou. Sou a máquina que conduzo no mágico sentido de nenhures. Emprego-me no ócio e estudo cada som vindo da extinção para se extinguir. No meio, no meio de tudo isto, caio no erguido Silêncio. E pairo, onde és presença, onde me habito, sereno.

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