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respirar

respirar

06/04/21

BAÚ

18092019

A felicidade, meus senhores? Vive no solto bater dum coração bondoso, no alento de uma respiração sem esforço, nos sons telúricos do mundo, na Lua toda luz, no Sol todo lume, no Universo encantado de estrelas pintado, na contemplação serena de cada pétala de uma flor, no rebentar espumoso de uma onda, na limpidez de um rio correndo para ao mar se juntar, no riso redondo de uma criança tímida, no abraço generoso e desinteressado de quem nada pede, no tilintar fino de uma moeda que nada paga nem de troca serve, no cantar alegre do pássaro livre, no voo da nuvem que passa na sua viagem, no planar augusto da grande águia, na quietude do imponente rochedo beijado pelo vento quente, na folha velha que cai, na nova que se agarra à seiva da vida num belo tronco retorcido. E tudo isto e mais que aqui não fica dito, visto e sentido com verdadeiro olhar, aberto e curioso, deitado à Vida.   

27/03/21

Desacordo Ortográfico

Espetador é aquele que espeta, não é? Não sei bem. Será que quem espeta a dor merece perdão? Não sei se castigar é bom remédio. Por falar nisso: tomaste o teu? Hoje? É sempre hoje: todos os dias. Ontem foi um hoje – não é estranho? Não acho. É o que perdes – devemos estar sempre a indagar, desafiarmo-nos para além do nosso próprio pensamento. Parece-me perfeitamente natural que ontem tenha sido presente. Natural, é; perfeito é que já tenho dúvidas. A perfeição não existe. Crês que o mundo é dual? Quente e frio, amor e ódio, alto e baixo…? Sim: dual… Julgo que sim. A imperfeição existe? Claro! É o que mais há! Então, a perfeição também. Onde queres chegar? À verdade, ora bolas. Se o mundo é dual e a imperfeição existe, logo a perfeição, necessariamente, terá de existir, não será? Vou pensar nesse bicudo caso. À noite? Na sombra do dia. Isso: bem dito. Assim sejas! Vamos andando? Esta é a hora. Do bom remédio.

25/03/21

Prosa Insana

#15

Pensar e ser pensando, numa osmose em que o tempo é único. Diluído, vago no vento e percorro pontes. Sou quem serei passado. Respirar respirado respirando, quase sem pele, de osso esguio e firme no mundo fantasma da aparência. Tanto de manifesto! Tanta solidez enganada! Tanto de ilusão em véus de névoa que vestem de maravilha o mistério flutuante que tudo toca. Jejuando da morte, alimento-me da vida semeada para partir. Todo o momento fugaz me cheira a eternidade. E sou raiz de incessante rumo à profundidade sem-fim. E sou copa que se expande à luz que desce. Ouço na manhã que se abre do negro o pássaro que sou. Sou a máquina que conduzo no mágico sentido de nenhures. Emprego-me no ócio e estudo cada som vindo da extinção para se extinguir. No meio, no meio de tudo isto, caio no erguido Silêncio. E pairo, onde és presença, onde me habito, sereno.

05/03/21

MOMENTO

ZEN

Que a nossa alma seja invadida por uma sagrada ambição de não nos contentarmos com as coisas medíocres, mas de anelarmos às mais altas, de nos esforçarmos por atingi-las, com todas as nossas energias, desde o momento em que, querendo-o, isso é possível. Giovanni Pico Della Mirandola in Discurso Sobre a Dignidade do Homem

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